quinta-feira, junho 14, 2012


Medo e o melhor post do mundo.

** Esse post está concorrendo como "Melhor post do mundo", concurso realizado pela Limetree e Minha Mãe que Disse





Medo

Eu tinha medos....tinha muitos medos sérios quando eu era mais nova.
Tinha medo de pombos, medo que eles chegassem perto de mim, que fizessem cocô na minha cabeça (o que já aconteceu uma vez, na escola), medo do barulhinho nojento que fazem.
Tinha medo de barata, de lagartixa. Medo de altura, medo daqueles de apertar forte a mão de alguém quando o avião está prestes a decolar. Tinha medo de ter pesadelos, especialmente um pesadelo específico que se repetiu por muitos anos.
O maior de todos os meus medos era sapo. Chamava de pavor, fobia. Não conseguia sequer encostar em um sapo de pelúcia, que a minha mão tremia involuntariamente. Uma vez um amigo fez uma piadinha e disse "olha o sapo", quando não havia nenhum....e eu chorei uns 15 minutos com a mera possibilidade.
Era um medo legítimo, um medo que doía dentro do peito e me enchia de raiva quando alguém fazia graça ou achava que era frescura. Medos não são frescuras, até mesmo os medos mais bobos são doídos e fazem sofrer.

Eu cresci, tive filhos e meus medos mudaram.
Não vou dizer que tenho vontade de pegar os sapinhos no colo e fazer carinho, mas eles têm uma importância muito pequena agora. Hoje sou capaz de passar por um deles e ainda abaixar pra mostrar para as crianças, ainda que de longe.
Hoje em dia acho besteira o medo irracional de um sapo de pelúcia e certamente um dia acharei absurdos os medos que eu tenho hoje, mas os meus medos verdadeiros de hoje me trazem dor sim e são tão legítimos quanto eram os medos anteriores.

Tenho medo que o meu menino tímido seja deixado de lado na escola, que os amigos impliquem com ele e não o chamem para brincar. Tenho medo que ele não saiba se defender ou que não saiba expor seus argumentos e seja injustiçado. Tenho medo que a minha gatinha autoritária seja excluída pelas amiguinhas. Tenho medo que a chamem de chata e não a deixem brincar. Tenho medo que eles sejam humilhados por alguma falha momentânea, tenho medo que lhes digam que eles não são capazes de realizar alguma tarefa. Tenho medo que elem sofram porque um amiguinho saiu da escola ou porque a amiguinha pegou um pedaço do seu lanche sem pedir.
E muito embora acredite que essas coisas todas são importantes para o crescimento dos pequenos, gostaria de evitar todo e qualquer sofrimento deles.

Tenho medo que caiam da escada ou do brinquedo ou do escorregador. Tenho medo que engasguem com um pedaço de maçã. Tenho medo que escorreguem na chuva e caiam de bunda no chão. Tenho medo que passem frio e peguem um resfriado. Tenho medo que a tosse vire pneumonia. Tenho medo que eles tenham que ficar no hospital. Tenho medo de vê-los doente. Tenho medo de faltar para eles e de vê-los necessitando de algo que eu não posso dar. 

Tenho medo de não estar por perto quando eles tiverem medo, pra poder dizer que vai passar. Ou então dizer que nunca vai passar, mas que eu vou continuar ali pertinho.

Um dia chegará o medo das más companhias, o medo do adolescente na rua até tarde, medo de que peguem carona com alguém que bebeu além da conta e muitos outros medos que hoje não significam nada pra mim!

Hoje eu tenho medos bobos e medos racionais - todos eles igualmente sinceros e legítimos até que passem e cheguem os novos.
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Um comentário:

MH disse...

Belo texto... Medos são relativos, né? Também tenho os meus, quem não tem?
Beijo