segunda-feira, maio 16, 2011


Infância livre



Assim como muitas outras blogueiras, fui convidada a apoiar e divulgar o movimento Infância Livre (de exploração e abuso sexual) criado pela Childhood Brasil. O movimento visa chamar a atenção sobre a causa e sensibilizar a população.

Qualquer pai ou mãe que se colocar a pensar no assunto, certamente arrepia só de pensar em seus filhos vítimas de qualquer tipo de exploração ou abuso. Em tempos de internet, só aumentou a preocupação acerca da pedofilia. A grande maioria se preocupa em monitorar os sites, em não deixar as crianças livres para pesquisar o que bem entender, verificar todos os contatos de msn e outros chats e especialmente orientando as crianças a não conversarem com desconhecidos.

Mas será que é suficiente?? Não acho. É preciso garantir que a criança tenha o direito de ser criança, livre de qualquer tipo de adultização precoce. A Paloma fez um post excelente sobre o assunto, que expressa exatamente o que eu penso sobre o assunto e não poderia escrever tão - lindamente e com tanta clareza. Vejam só AQUI !!

Eu tive uma infância livre de qualquer tipo de exploração e abuso sexual. Tive o direito de ser criança, ouvia músicas infantis, brincava com outras crianças, me vestiam de maneira adequada para a minha idade. Não me lembro (nunca) de ter as unhas pintadas de verdade, ter usado saltinhos ou roupas de adulta. Passava férias na praia e passava o dia descalça brincando na piscina, na praia ou na rua. Minhas festinhas eram em casa, com doces, bolos e sanduíches feito em casa - era sempre uma oportunidade de juntar um monte de criança e brincar com os brinquedos novos, brinquedos estes que só chegavam no aniversário e no Natal (ou quando os irmãos voltavam de viagem....rs!). Tenho lembranças muito boas da infância e hoje, olhando pra trás, percebo que a minha infância foi, diante do possível, muito bem resguardada.

E eu tenho uma preocupação muito grande e me sinto totalmente responsável pela infância dos meus pequenos. Acho que criança tem que brincar na rua, se sujar à vontade e fazer bagunça. Não deixo que se preocupem com roupas sujas ou tênis sujos. Seja qual for a roupa, sempre reforço que podem brincar à vontade. Gosto que assistam filmes e desenhos apropriados pra idade. Faço o possível para que tenham contato com diferentes atividades culturais: cinema, teatro, parques, exposições. Não deixo que assistam comerciais de TV (aliás, não acho que deveria sequer existir qualquer tipo de publicidade direcionada ao público infantil, na minha humilde opinião, mas isso é assunto pra outro post). Ensino que já tem bastante brinquedo e não precisam de mais nenhum, não estimulo o consumo de forma alguma. Ensino a doar roupas e brinquedos a quem precisa. Me preocupo com a alimentação diária, estimulando o consumo de verduras e legumes, sucos naturais e frutinhas de sobremesa (libero umas guloseimas aos finais de semana e em festinhas, mas não no dia a dia). Ouço músicas infantis quando estão no carro comigo, conto histórias bacanas e estimulo sempre o interesse pelos livros infantis, que o André AMA de paixão. Obviamente não proibo ninguém de presentear os meus filhos, mas sempre que possível oriento a não incentivarem o consumismo, dando tudo o que as crianças pedem.

Meus programas são os programas das crianças. Organizamos o nosso final de semana em função deles e não os levo para casamentos, festas, bares ou restaurantes à noite apenas para que eu não perca o programa. Faço, sim, programas de adulto, mas só quando consigo me esquematizar para deixá-los com alguém.

Enfim, tudo isso pra dizer que eu faço a minha parte ao garantir que as crianças sejam crianças, que não pulem essa etapa tão deliciosa e importante da vida, tentando agir como adultos, brincar como adultos e ter as "necessidades" que os adultos tem (porque sinceramente celular é necessidade de adulto e olhe lá...criança não precisa, né não?). Não é fácil, especialmente porque as crianças são bombardeadas de informações e necessidades criadas pela TV e pelos amiguinhos. Não digo que é moleza lidar com o "mas tooooooooodos os meus amigos tem/fazem/gostam/usam", mas é uma obrigação dos pais nunca desistir de ensinar.

Se cada pai e mãe fizer a sua parte em garantir uma infância saudável aos filhos, já temos meio caminho andado para a criação de adultos do bem - bem resolvidos, felizes e aptos a garantir a infância saudável da próxima geração.

* Para mais informações sobre o movimento, acesse o site: http://www.infancialivre.org.br
** Essa aí na foto sou eu, titiquinha de tudo e preparada pra minha festa caipira!
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14 comentários:

Ana Paula disse...

Muito legal este movimento e também o seu post. Exprime muito bem a ideia de uma infância respeitada. Beijo

Mari Hart disse...

Tenho muito a dizer sobre esse assunto. Vi no blog da Pat da Alice, e contando minha experiiencia além de me livrar de um fantasma pode servir de alerta a outros pais.

Bjks!!

Susan disse...

Oi Renata, amei o post!
Movimento show de bola, assino embaixo!
Grande abraço.

Paloma, a mãe disse...

Muito bom, Re! Já disse o quanto admiro forma como vc cuida dos meninos e em como vc me inspirou num momento crucial de minha vida, né? Se todas as mães tivessem esta preocupação tão b´sica de resguardar a infância dos próprios filhos nós não precisaríamos nem estar tendo esta conversa. Mas, mesmo que façamos a muito bem a nossa parte, nossos filhos convivem e se influenciam com outras crianças cujos pais não tem discernimento do que é ou não adequado à idade. Por isso temos de pensar que é um problema de todos, da sociedade, e não só dos pais de uns ou de outros.
Beijos

Lia disse...

Se todas as mães fossem iguais a você, que maravilha viver!

Celi disse...

Adorei o post! É isso aí vamos resgatar a infância e fazer com que nossos filhos tenham boas lembranças também.
Um beijo.

Dra. Juliana Matson disse...

Maravilhoso! E eu acrescento o seguinte: vc não estimula o consumo exagerado nas crianças porque você tem uma família linda e estruturada, Rê. Você não sofre de CULPA, sentimento que muitos pais "experimentam" e "alimentam" diariamente... Parabéns pelo exemplo!
Beijos

Eliana disse...

apoiadas! muito importante!
deixem nossas crianças serem crianças o tempo que lhes for necessário!
bjo

Ivana - coisademae disse...

Rê, essa é uma preocupação eterna aqui em casa. Infância livre é isso: deixar a criança ser criança. A mídia é imperdoável, massacra esses pequenos diariamente e vivo numa luta eterna para mostrar a eles o que vale a pena e o que não vale, porque são esses valores, fincados nessa primeira infância, que farão toda a diferença lá na frente!

Parabéns pelo post!

Bjos!

Júnia disse...

Rê, quando a Laura crescer eu quero ser igual a você, rs! Parabéns

Ivana - coisademae disse...

Rê, coloquei um link do seu post lá no blog, viu?

Bjos!

Vestidos Infantil disse...

Adorei o seu post.Quero que a minha filha tenha uma infancia saudável, que ela brinque muito,mas com brincadeiras certas para a idade dela. Sou totalmente contra crianças se maquiarem, usar esmaltes, usar roupas não adequadas para idade, ver novelas que sinceramente so mostra coisas ruins. Eu quando criança brincava de boneca, de pega pega, de pique esconde, brincadeiras desse tipo. Tá certo que hoje em dia é raridade ver crianças brincando desse jeito, mas quero fazer de tudo para que ela seja uma CRIANÇA.
Beijos
Ana

Anônimo disse...

Essa palavra "lindamente" que você adora usar NÃO EXISTE!!! Aprende a escrever!

Sarah disse...

Que legal ver sua participação nesse movimento tão importante Re! Concordo com tudo, criança tem que ser criança, se sujar, fazer bagunça, ouvir música infantil. Detesto essa onda de encurtar a infância e criar mini-adultos por meio de produtos e atitudes inadequados ao universo infantil.
Ah, e que linda vc de caipirinha!
beijos
Sarah
http://maedobento.blogspot.com/