sexta-feira, abril 08, 2011


Maternidade real

Ninguém disse, ninguém me contou...
Eu não lia blogs maternos e não sabia o que me esperava.

Eu sempre quis ser mãe e então eu achava que eu ficaria uma grávida linda e feliz e que sairia por aí exibindo o barrigão e me achando a pessoa mais bonita do planeta.
Sim, estava feliz por estar grávida, mas só conseguia me achar feia, gorda e inchada e segundo o maridão, passei 9 meses de TPM, tamanho o bom humor.

Então o bebê nasceu, e pronto. Tinha em meus braços tudo o que eu sempre sonhei, estaria feliz radiante e completa.
Sim, eu sentia o maior amor do mundo e o bebê era o mais lindo que eu já tinha visto em toda a minha vida, mas inexplicavelmente eu tinha vontade de chorar e chorar e chorar.

Todos os meus dias estariam felizes e completos, eu tinha o meu bebê e o que mais eu poderia querer??
Resposta: dormir. Eu tinha um bebê com refluxo e que não dormia NADA e eu sentia um cansaço que nunca imaginei que pudesse sentir. Eu descobri o que é chorar de tanto sono e foi tudo muito mais difícil do que eu poderia imaginar.

Ele foi crescendo e foi chegando a hora de educar. Tudo muito certo na minha cabeça: muita conversa, com os olhos na altura da criança, sem gritos e sem perder o controle.
Nunca imaginei o poder que uma criança tem de nos tirar do sério e bem antes do que eu imaginava, estava eu gritando com o pequeno e depois chorando, chorando e chorando pedindo desculpas pra ele.

Foi tão difícil todo o começo com o André, já que ele não dormia NADINHA, que nós decidimos engravidar novamente o mais rápido possível para passar por todo esse começo logo. Na minha cabeça se começasse a ficar muito bom o lance do sono, eu desanimaria começar tudo de novo.
Só que então precisamos mudar de casa e eu não imaginava o que seria ao mesmo tempo obra + bebê de 1 ano e meio + barriga tamanho XXXG = TPM ao cubo.

Nasceu a minha princesa muito mais linda que nos meus sonhos mais lindos e então eu tinha a minha família completa como sempre quis ter.
E cada vez que ela acordava de madrugada, o André acordava junto e chorava querendo o meu colo. E eu amamentava a pequena, com o "grande" no outro braço.
E eles se revezavam, quando um dormia o outro estava acordado e eu não dormia nunca.
Voltei a chorar de tanto sono e tanto cansaço físico.

Eu tinha outra bebê com refluxo e ela acordava de hora em hora. Era linda, maravilhosa e princesa, mas eu estava surtando de tanto cansaço. E o André estava entrando na fase das birras. Com tanto cansaço, tudo que eu não precisava era argumentar, explicar, conversar...mas eram assim os meus dias.

Chorei mais algumas vezes por ter perdido a linha com ele. Chorava e pensava que ele não tinha culpa do meu cansaço, que ele não tinha culpa de termos tido outro bebê e que eu tinha que estar 100% pra ele - calma, tranquila e paciente. Só que quem disse que eu conseguia?

Chorava de sono e chorava de culpa. A culpa era tanta que eu cheguei a achar injusto o André estar na escola, achava que eu o tinha "afastado" de casa para poder ter um tempo com a Mariana e que isso não era justo. Sentiram o tamanho da loucura da pessoa.

Algumas pessoas sentem culpa por trabalhar o dia inteiro e ter pouco tempo pra criança. E eu sentia culpa por estar o tempo todo com eles e perder a paciência de vez em quando. Cheguei a achar que se eu passasse um tempo fora de casa, chegaria em casa mais tranquila e disposta pra eles.

E eu, que sempre fui prática, tranquila e equilibrada. Eu, que sempre soube lidar com todos os meus problemas sem grandes dramas. Eu, que sempre tive soluções práticas, rápidas e precisas pra tudo, me vi procurando ajuda. Lá fui eu ao psiquiatra pedir ajuda pra me reequilibrar e voltar a ser a pessoa que eu era. Não queria me acalmar, só queria voltar a ser o que eu era. E não é que deu certo?

Me equilibrei e passei a entender melhor as minhas crises e as minhas culpas. Aprendi (ou melhor, estou aprendendo) a aceitar que não sou perfeita, que tudo bem eu sentir cansaço, que tudo bem eu não querer brincar de carrinho 40 vezes por dia, que tudo bem eu perder a paciência de vez em quando, que tudo bem estar tão cansada a ponto de querer que todo mundo durma cedo pra eu poder ficar sozinha olhando pro nada.
Aceitei que eu não sou a melhor mãe do mundo, mas que sou a melhor mãe que eu posso ser!!!!

* selinho lindo feito pela Anne
** Anne gata - vc deixa eu usar a frase do seu selinha pra eu terminar meu texto, né?? rs
29

29 comentários:

Carol Garcia disse...

rê,
a maternidade tem dessas delícias. de transformar a gente em seres monstruosos e doces ao mesmo tempo.
mas é assim que funcionamos e fazemos direito, não???
bjocas

rauscher disse...

Parabéns!
Lindo post!!!! Lindos filhos!!!! E todas perdemos o prumo depois de ter filho (s)!!!! Acho q até acertar o rumo leva tempo!
Abços,
Bruna

Lia disse...

a culpa é poderosa, né? E a gente se exige mesmo. Mas, sabe, é muito bom pras crianças descobrirem que os pais não são perfeitos. Eu vivia uma pressão enorme de ser a melhor filha do mundo até descobrir que meu pai não era perfeito. Meu mundo caiu?? Que nada!! Me senti foi livre! ;)
Beijos de quem tb erra!

Li disse...

Renata,

Adorei o seu post!
Acho que ser mãe faz a gente sentir culpa por tantas coisas, né?! Mas também nos faz as pessoas mais realizadas do mundo!

Parabéns por ter ido buscar ajuda, muita gente tem vergonha! E parabéns pela família tão linda que você e seu marido formaram!

Beijos!

Lívia.

Ivana (Coisa de mãe) disse...

Rê, é uma luta eterna. O importante é a gente ter consciência de que a nossa realidade nunca vai ser igual a do outro, não dá pra comparar. Temos de viver dentro do que alcançamos, dentro do que podemos fazer, seja certo ou errado aos olhos dos outros. O importante é que suas decisões sejam consentâneas com seus princípios.

E é maravilhoso quando reconhecemos os nossos erros, aprendemos e mudamos o rumo das coisas. Isso é aprendizado real!

Bjos querida e parabéns pelo excelente post!

Andréa disse...

Que texto lindo e sincero Rê,tô aqui chorando de emoção.
Emoção e um monte de arrependimentos.
Eu tinha 23 anos e tres filhos para educar sozinha,pois meu marido focou em ganhar dinheiro feito um louco.
Gritei muito com eles,bati na bnda de fraldas muitas vezes.Puxei pelo bracinho e coloquei de castigo no canto da sala.
Se eu soubesse que eles cresceriam tão rápido ,teria largado a louça pra depois,a casa bagunçada e teria ficado só abraçada neles,nos meus bebês queridos,que eu amei tanto.
nossa o arrependimento dói muito.
Deixa tudo pra lá Rê,dorme junto com eles,quando a arte for grande e não der mesmo,dê um gritinho sem culpa,mas aproveite,porque eles crescem e aí fica um vazio tremendo.
Eu ando dizendo que tô sofrendo da Síndrome do Ninho Vazio,e acho que é isso mesmo.
Vou lá secar as lágrimas e volto mais tarde.
Um beijo querida.

Naiara Krauspenhar disse...

Aceitar que não somos perfeitas... isso é importante. Falei disso também.

Eu sofri com a sua história hein, não deve ter sido fácil. No seu lugar não sei se teria dado conta. Então orgulhe-se. Porque você fez um bom trabalho.

BJos

Camila disse...

Rê, sou sua fã! Até citei vc no meu post... Me identifico super, afinal somos mães q largaram tudo para ficar com os filhotes seguidinhos em casa, né?! Tbem estou aprendendo q estar com eles 24 horas por dia não significa 24 horas de qualidade. Isso é importantíssimo! Tomar um bom banho, dar uma lidinha em uma revista e otras cositas mais, é um tempinho pra gente q só favorece o tempo q estamos com eles e a paciência para enfrentar as dificuldades...
Bjos,
Camila
www.mamaetaocupada.blogspot.com

Beta, a mãe disse...

a gente elouquece, mas acaba sendo por um bom motivo né não? A gente tá longe de ser perfeito e essa é a graça da vida, que chato seria se fôssemos todos iguais né? Beijos

Roberta Lippi disse...

Você é a melhor e mais chorona mãe do mundo!!! rsrsrs...
Adorei seu texto. Também tenho essa culpa da mãe que fica em casa. Porque às vezes eu tô em casa mas não to com vontade de brincar com as crianças, as vezes eu passo o dia trabalhando que mal parece que eu estou em casa. Culpa, culpa, maldita culpa.
Mas a gente amadurece em relação a isso tambem, ne, seja na terapia ou no aprendizado diario da vida.
Beijo beijo beijo

Mariana disse...

hum, passei por quase tudo isso....bah, to lendo os post e adorando, me indentificando com todos, pena que não tenha sabido a tempo de postar tb. sabe que fiquei tão "traumatizada" pela amamentação, noites sem dormir, bebe com refluxo, que não consigo realizar ter outro. penso e penso e postergo.....

Fá, Mãe da Ana Luiza e do Gustavo! disse...

Rê, eu to mais ou menos como no seu post. Só que eu deixei o soninho da Ana chegar na fase do "delicioso" e agora passo madrugadas em claro com o Gustavo! hahahahaha
Ainda bem que passa, que eles crescem!

Beijo grande!

Fá, Mãe da Ana Luiza e do Gustavo! disse...

Rê, eu to mais ou menos como no seu post. Só que eu deixei o soninho da Ana chegar na fase do "delicioso" e agora passo madrugadas em claro com o Gustavo! hahahahaha
Ainda bem que passa, que eles crescem!

Beijo grande!

Nine disse...

Por tudo que tenho lido, nós mães só poemos ser loucas, afinal praticamente todas já choraram escondido no banheiro, ficam cansadas, sentem culpa por isso, não conseguem resultados almejados...de onde aquela idéia de família perfeita?

Se a perfeição passa longe de todos os nossos lares, quem inventou essa imagem que nos persegue dia e noite?

Que bom que vc buscou ajuda e que tem resolvido as coisas por aí!

Ótimo texto!
Beijos,
Nine

Mari Hart disse...

Re, o mais incrível dessa blogagem coletia e ver que somos mais normais do que imaginávamos! Cada um com seu cada um, mas todos normais! E isso é ótimo!

Me identifiquei muito qdo vc fala sobre as noites de sono, pq na maioria das vezes esse "problema" é apenas no comecinho, e eu tive por 4 anos. Claro que Leo tem seus probleminhas e não é parâmetro p/nada, mas fiquei extaos 4 anos sem dormir até janeiro desse ano p/ser bem precisa. E a falta de sono noturno afeta outras coisas como nossa saúde e humor é claro!

Apesar dos pesares é a aventura mais fantástcia que poderíamos viver! Bjo grande! =)

Dê Freitas disse...

Oi Rê, adorei o post. Eu me informei bastante, mas isos não quer dizer nada, né? na prática, a teoria é outra, não é o que dizem? rsrs.

Me amei grávida, me achei a pessoa mais linda do universo. MAs o primeiro mês da Manu foi bem complicado. Chorei horrores, fiquei insegura, tinha muito medo, muita culpa, muito sono, rsrs....mas acima de tudo, muito amor!

Beijo enorme,

Mônica disse...

Adorei o post!
Eu sou normal, ufa!!!
Bjs

Mirys + Guigo + Nina disse...

Renata:

Sensacional!
Que depoimento, heim?

Eu também não estava preparada para nada disso, mas tirei a sorte na loteria. No 1o filho. Já na minha mocinha... refluxos, noites insones, enfim: tudo o que você falou!

Bjos, bençãos e boa sorte por aí!
Mirys
www.diariodos3mosqueteiros.blogspot.com

Sarah disse...

AMEI seu texto Re. Identificação total! Também tive um bebê com refluxo e sei exatamente o tamanho do cansaço que vc está falando. Uma das coisas que mais pegou pra mim na maternidade foi exatamente isso, e senti um alívio enorme quando Bento passou a dormir a noite toda. Só não tive coragem de emendar o segundinho ainda, rs...
Também me identifiquei com seu dark side. Impossível ficar calma e paciente o tempo todo, ainda mais vc com dois pequeninos!
beijos!

Dani disse...

Cada verz que leio um post tão bom como esse agradeço por ter conhecido esse mundo da blogagem materna.

Aqui a gente se entende.

Parabéns pelo texto.

Beijos,

Dani

Kelly Resende disse...

Oi Rê, que post legal! Aliás estou adorando essa blogagem coletiva, me identifico com todo mundo. rsss
É tão difícil ter um bebê com refluxo né. Clara tb teve e eu sei mto bem do que vc tá falando sobre não dormir nada. E os seus 2 tiveram?
As vezes a gente se pega querendo entregar o bebê para alguém, trancar a porta e dormir por dias seguidos.
Beijos

Beta disse...

Cara, me identifiquei muito com o "chorar de cansaço" (acho que é um clássico de toda mãe...). A parte da culpa da escolinha e a culpa de ficar em casa tb...rsrsrs.
Bjão

Ilana disse...

Renata, adorei seu texto.
Tão sincero e honesto, como é difícil encontrar por aí.
Beijos

Priscila disse...

Olá...
conheci o seu blog agora... e adorei a matéria... já estou te seguindo...

Tem sorteio da Natura lá no meu blog... olha lá.

Bjs, Pri
http://maesemfrescura.blogspot.com

Lua Ugalde disse...

Lindo seu texto Rê. Acho que a Culpa ocupa a todas nós...Quem não perde a paciência com seu filho? Já vi até a Super Nanny QUASE perder a paciência com daqueles meninos do programa...imagina com o filho dela...rsrsrrs

Bjos!!

www.devaneioslunares.blogspot.com

João ou Julia ? disse...

Esse seu post foi tudo de bom e mais um pouco ....

Avassaladora disse...

Re estou passando por isso também e só queria que o marido compreendesse que não estou de ferias em casa e que no fim do dia eu também preciso de um tempo pra "olhar pro nada"

Carolina Louro disse...

Amei o texto!!!
Cada vez eu tenho mais vontade e mais medo de ser mãe! Hehe Deve ser uma experiência muito louca mesmo, mas que não abro mão de passar por ela por NADA nessa vida!
Morro de orgulho do jeito que vcs criam meu pincipe e minha pincesa, com suas crises, claro, mas sempre com muito respeito e amor! (Adoro ver vcs aplicarem alguns métodos que a Super Nanny faz hahahah!!!)
Aiii que saudade, to contando os dias pra ver vcs!
Beijo gigante da tia babona!

Cynthia Santos disse...

Meu Deus, Renata, como me vi descrita por você! Estou aqui em prantos, até hoje tentando me achar... lindo depoimento! Reconhecer nossas fraquezas é o ponto rpincipal, né? Mas é tão difícil...um beijo enorme, cada dia tenho mais orgulho de te ter como amiga virtual!